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O salto alto e a saúde dos pés

O salto alto e a saúde dos pés

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Na atualidade, majoritariamente, o uso dos sapatos de salto alto pertence ao universo feminino. Na busca da elegância, da beleza e sensualidade, este comportamento leva muitas mulheres aos consultórios médicos com problemas nos pés.

Antes de qualquer explicação, é importante ressaltar que nem todas as pessoas que usam sapatos de salto alto no decorrer da vida irão desenvolver problemas nos pés. Entretanto, há uma forte correlação entre os problemas dos pés e a frequência, a intensidade e o tempo de uso dos saltos, assim como a altura dos mesmos.

Os estilistas definem salto alto maior que 9cm. Na comunidade médica, não há consenso de uma altura ideal do salto do calçado que dê uma margem de segurança para o uso, entretanto, consideramos um salto aceitável para menor risco de complicações entre 4 e 6 cm. Desta forma, quando eu me referir a um salto alto, estarei me referindo a uma altura maior que 6 cm.

Quando uma pessoa usa um calçado com salto alto, o centro de equilíbrio é reposicionado para frente e, para restabelecer este importante equilíbrio, a pessoa projeta a cabeça para frente, os ombros para trás e a pelve gira para frente empinando o bumbum e aumentando a curvatura da coluna lombar (deixando a pessoa extremamente elegante). Há uma contração da musculatura da panturrilha encurtando o tendão de Aquiles e durante a marcha todo o peso do corpo é apoiado apenas em uma pequena área do antepé. Como o foco é a saúde dos pés, não irei abordar as complicações na coluna cervical e lombar, nos quadris e joelhos produzidos por esta mudança postural global. Voltemos para os pés.

Com salto alto, a área de contato do pé com o solo é muito pequena. Esta pequena área produz uma enorme pressão sobre a região que denominamos região metatarsal do pé. Os problemas podem ser originados devido a esta hiperpressão e podem ser os mais variáveis, desde calosidades dolorosas a inflamações nas pequenas bolsas que temos abaixo dos ossos, que são as bursas (bursite). Se comprimir os nervos, podem ter um espessamento que produz muita dor, denominados neuromas de Morton. Além das fraturas de estresse, ainda podemos agravar o famoso hálux valgo (joanete).

De forma geral, décadas de uso de salto alto com uma maior frequência e intensidade podem produzir o encurtamento do tendão de Aquiles (o que vai aumentar a dependência do uso do salto, pois torna-se insuportável o calçado rasteiro) e também o encurtamento dos tendões extensores dos artelhos (que produzirá mais deformidades como garra dos artelhos, calosidade dolorosas e até mesmo lesões das unhas).

Normalmente, o salto alto vem acompanhado de um bico fino e o salto agulha. Com bico fino, qualquer estrutura que precisar se acomodar lá dentro, estará sobre compressão (fato que fica fácil compreender porque as dores poderão aumentar pelas hiperpressões) e o salto agulha é aquele em que a sustentação do calcanhar se dá por um apoio com uma minúscula área, e nesta situação, um aumento da instabilidade do apoio, levando a torções do tornozelo, quedas e até mesmo fraturas.

O ponto importante para prevenção de patologias dos pés e tornozelos está muito relacionado com o tempo em que as pessoas ficam em cima destes sapatos. Estas relações dependem da frequência, intensidade, tamanho do salto e tempo de uso.

 

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A diminuição da altura do salto, assim como a base larga, apoio anterior com solado que absorva algum impacto, podem ser uma alternativa para diminuir os efeitos adversos deste comportamento.  Os sapatos devem respeitar os pés, e uma câmara anterior maior com bicos retangulares ou arredondados amenizam as agressões das protuberâncias ósseas, calosidades e deformidades pré-existentes.

Citando Aristóteles: O belo é o esplendor da ordem.

Dr. José Brandão Brandao

Médico ortopedista, especializado em Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé do Instituto de Medicina do Movimento de Brasília – IMOV.