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Distúrbios do Sono I: Insônia

A insônia é a dificuldade persistente para começar a dormir, manter o sono ou acordar descansado, mesmo com tempo e condições adequadas para dormir, com prejuízo no dia seguinte, como cansaço, irritação e falta de concentração. Pode ser passageira, ligada a um momento de estresse, ou crônica. O tratamento com mais respaldo é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, às vezes associada a medicamentos prescritos por psiquiatra ou médico do sono.

Distúrbios do Sono I: Insônia

A insônia pode ser definida como um transtorno caracterizado por dificuldade de iniciar ou manter o sono, despertar precoce ou sono de má qualidade e cronicamente não reparador, resultando em sintomas diurnos, físicos e emocionais, com impacto negativo no funcionamento social e cognitivo do indivíduo.

Os sintomas ocorrem mesmo em vigência de condições adequadas para o sono e os pacientes apresentam pelo menos um dos seguintes sintomas diurnos: fadiga, déficit de atenção, concentração e memória; disfunção sexual, profissional e acadêmica; irritabilidade, sonolência excessiva diurna; falta de motivação e energia; propensão a erros; acidentes no trabalho ou na condução de veículos; cefaleias, tensão e sintomas gastrointestinais; preocupação com o sono.

A privação ou redução do tempo de sono trazem diversos prejuízos ao organismo: alterações do humor, irritabilidade e impaciência, comprometimento da memória e concentração, aumento da liberação de hormônios relacionados ao estresse, contribuindo para o desenvolvimento de hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares, gastrointestinais e pulmonares, além de ansiedade e envelhecimento precoce.

Por isso, é fundamental que os pacientes com insônia sejam diagnosticados e adequadamente tratados!

O tratamento da insônia pode ser medicamentoso e/ou comportamental. Os resultados mais satisfatórios ocorrem com a combinação dessas duas modalidades terapêuticas.

Em geral, os medicamentos mais utilizados são os hipnóticos, antidepressivos sedativos, benzodiazepínicos e antipsicóticos.

O tratamento não farmacológico engloba a terapia cognitivo comportamental (TCC), técnicas de relaxamento e medidas de higiene do sono.

 

Insônia e Transtornos Mentais

A insônia é uma comorbidade em cerca de 90 a 93% dos casos de transtornos mentais graves. Ela tem grande impacto nos resultados do tratamento dessas condições e representa risco de recaída e recorrência.

Em muitos casos, a intensidade dos sintomas do distúrbio do sono é maior que a dos sintomas do transtorno mental subjacente e isso pode fazer com que o paciente procure o médico devido aos problemas de sono e não por causa dos sintomas de depressão ou ansiedade, por exemplo.

Cerca de 25 a 45% dos pacientes com algum transtorno de ansiedade apresentam queixas de insônia grave.

Existe também uma alta associação entre depressão e insônia. Esta é uma queixa residual persistente nos indivíduos deprimidos e um sintoma preditor de recorrência da depressão.

A associação clínica entre insônia e fibromialgia também é frequente. O prejuízo na qualidade do sono relaciona-se de forma recíproca com a dor, podendo ser causa, consequência ou fator perpetuador da condição dolorosa.

Para maiores informações, consulte um psiquiatra.

 

 

Referências:

-Associação Brasileira do Sono, www.absono.com.br

-III Consenso Brasileiro de Insônia, 2013

-Diretrizes para o diagnóstico e tratamento da Insônia

Quando a dificuldade para dormir vira um problema

Quase todo mundo passa por noites ruins antes de uma prova, depois de uma perda ou em fases de preocupação. Esse quadro de curta duração costuma melhorar quando a situação se resolve.

O quadro passa a ser considerado crônico quando se repete em várias noites por semana e se mantém por meses. Nessa fase, o próprio medo de não dormir alimenta o problema: a pessoa vai para a cama tensa, olha o relógio e associa o quarto à frustração.

Um sono não reparador, em que a pessoa dorme as horas habituais mas acorda cansada, também merece atenção, porque pode indicar outros distúrbios do sono.

Outros problemas que podem se parecer

Nem toda noite mal dormida é insônia. Algumas condições precisam ser investigadas porque têm tratamento próprio:

Apneia do sono

ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme junto e sonolência forte durante o dia.

Síndrome das pernas inquietas

desconforto nas pernas ao deitar, com vontade irresistível de movê-las.

Alterações do ritmo biológico

sono que só chega muito tarde, comum em adolescentes e em quem trabalha em turnos.

Dor crônica

condições como a fibromialgia e dores na coluna atrapalham o sono, e o sono ruim aumenta a dor.

Medicamentos, álcool e cafeína também podem estar por trás da dificuldade para dormir.

Como é o tratamento sem remédio

Terapia cognitivo-comportamental para insônia

A terapia cognitivo-comportamental para insônia é conduzida por psicólogo ou médico com formação na área e costuma ter um número limitado de sessões. Ela combina algumas estratégias:

  • ajuste do tempo na cama ao tempo real de sono, para consolidar o sono;
  • uso da cama só para dormir, reforçando a associação entre cama e sono;
  • revisão de crenças que aumentam a ansiedade em relação ao sono;
  • técnicas de relaxamento e medidas de higiene do sono.

Remédios para dormir usados por conta própria podem causar dependência, sonolência no dia seguinte e risco de quedas. Qualquer medicamento deve ser indicado e acompanhado por médico.

Quem procurar

Para avaliar a insônia, os profissionais indicados são o psiquiatra, o médico especialista em sono e o psicólogo, que também investigam transtornos mentais associados, como ansiedade e depressão. O clínico geral pode fazer a primeira avaliação e encaminhar.

Se a falta de sono vier acompanhada de desesperança intensa ou pensamentos de se machucar, a ajuda deve ser imediata: o CVV atende pelo telefone 188, e em situações de risco o SAMU atende pelo 192.

Perguntas sobre insônia

Quantas horas de sono são consideradas normais para um adulto?

A necessidade varia de pessoa para pessoa. A maioria dos adultos se sente bem com cerca de sete a nove horas por noite, mas algumas pessoas precisam de menos e acordam descansadas. O que define a insônia não é só o número de horas, e sim a dificuldade para dormir e o prejuízo no dia seguinte.

Tomar remédio para dormir todo dia faz mal?

Pode fazer, se não houver acompanhamento. Alguns remédios para dormir causam dependência, perdem efeito com o tempo e aumentam o risco de quedas e de sonolência ao dirigir. Quem já usa não deve parar de repente: a retirada deve ser planejada com o médico.

Qual médico devo procurar para tratar a insônia?

O psiquiatra e o médico especialista em sono são os mais indicados, e o psicólogo conduz a terapia cognitivo-comportamental. O clínico geral pode fazer a primeira avaliação, pedir exames quando necessário e encaminhar para o especialista.

Insônia pode ser sinal de ansiedade ou depressão?

Sim, é bastante comum. A dificuldade para dormir pode ser o primeiro sintoma que leva a pessoa ao médico, antes mesmo de ela perceber a tristeza ou a preocupação excessiva. Por isso, a avaliação inclui perguntas sobre humor, ansiedade e rotina.

Insônia: quando procurar ajuda profissional

Este conteúdo sobre insônia é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure um psiquiatra ou psicólogo. Em situação de crise, ligue para o CVV (188) ou para o SAMU (192).

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