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Capsulite Adesiva: A Doença do Ombro Congelado

Capsulite Adesiva: A Doença do Ombro Congelado

O que é?

            Todas nossas articulações, incluindo o ombro, são revestidas internamente por uma estrutura de tecido frouxo (conectivo) que auxilia na sua estabilidade, mas também permite que realize os movimentos necessários para as atividades que desempenhamos no dia a dia.

            O termo capsulite adesiva se refere a situações nas quais essa cápsula sore um processo de inflamação, seguido pelo seu enrijecimento, causando, inicialmente, dor, seguida de limitação da mobilidade da articulação, como se a pessoa estivesse vestindo uma roupa bastante apertada. Essa situação dá razão ao termo “ombro congelado”, exatamente por haver situações em que se chega a não possuir qualquer mobilidade.

O que a causa?

            Há duas formas de capsulite adesiva. Na forma primária, não se consegue apontar umm fator predisponente, sendo o desenvolvimento espontâneo. Já na secundária, ela se desenvolve a partir de uma lesão articular prévia (tendinopatias, lesões capsuloligamentares) ou após algum trauma de maior ou menor intensidade, incluindo cirurgias do ombro.

            De forma geral, é mais comum no sexo feminino, tendo sua incidência variando de 3% a 5% da população. Em pessoas com diabetes a incidência chega a 20%. Na maioria das vezes afeta o ombro do membro não-dominante, podendo acometer os dois ombros em até 40% dos casos.            Períodos prolongados de imobilização do ombro também são fatores de risco para desenvolver o problema.

            Outros problemas de saúde também aumentam a chance de desenvolver a capsulite do ombro: doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, distúrbios da tireóide e doença de Dupuytren.

Como se desenvolve?

            O início dos sintomas ocorre com dor, consequência de um processo inflamatório, acontencendo aos extremos do arco de movimento e também durante a noite. Os sintomas podem ser intensos, limitando as tarefas diárias.

            Aos poucos a inflamação vai cedendo e a intensidade da dor diminui. Nesse ponto a cápsula começa a se enrijecer, resultado de um processo de formação de fibrose. Esse enrijecimento pode tornar-se bastante avançado, causando importante perda da mobilidade da articulação.   

            Em um dado momento, o organismo inicia uma reversão do congelamento e o ombro vai apresentando melhora gradual do seu arco de movimento, porém, esse período é longo, podendo durar de 1 a 3 anos até o retorno da mobilidade original.

Como se faz o diagnóstico?

            O diagnóstico da capsulite adesiva é clínico, através da observação dos sintomas e do físico ortopédico.

            Exames de imagem complementares são interessnates para se avaliar a presença de prováveis lesões articulares que possam ser desencadeadoras da capsulite.

Como é feito o tratamento?

            O tratamento vai depender do estágio em que o diagnóstico tiver sido realizado, sendo mais voltado a medidas analgésicas e anti-inflamaórias no início, e mais focado em terapia para ganho de mobilidade, se em estágios mais avançados.

            As terapias analgésicas e anti-inflamatórias podem ir desde medicações orais até infiltrações articulares e bloqueios de nervos, dependo da clínica apresentada pelo paciente. O objetivo é de prover alívio da dor, qualidade de vida, encurtar a duração tratamento, permitindo com que a fisioterapia possa ser mais eficiente em sua aplicação.

            Alguns poucos casos que não evoluem bem com o tratamento conservador podem se beneficiar do tratamento cirúrgico para capsulotomia por via artroscópica ou aberta.

            A capsulite adesiva deve sempre ser lembrada como diagnóstico provável nas situações de dor no ombro, pois é uma doença prevalente e que pode ser secundária a qualquer outra lesão dessa araticulação. A sua identificação precoce permite que o tratamento possa ser bem mais assertivo e eficaz.

Dr. Marco Antonio Martins Balduino

Ortopedista e traumatologista, especializado em cirurgia do ombro e cotovelo, certificado para avaliação com FMS I® e SFMA I®. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo. Especializado em Fisiologia do Esporte Aplicada à Clínica pela Unifesp.